ANTI – Rihanna entre o drama e a ousadia

I can just hear them now
“How could you let us down?”
But they don’t know what I felt
Or see it from this way around
Feeling it overtake
All that I used to hate
Wonder what if we trade
I tried but it’s way too late
All the slides I don’t read
Two sides of me can’t agree
When I breathe in too deep
Going with what I always longed for
-Rihanna, Same Ol’ Mistakes (Tame Impala Cover)

Há meses circulava pela internet que em breve Rihanna voltaria com seu novo álbum, ANTI, que já tinha até capa divulgada, uma foto da Rihanna em seus idos de infância na ilha de Barbados, em uma fotomontagem em braile, usando uma coroa dourada. Com um recente sucesso seguido de “Bitch better have my money”, “American Oxygem” e “FourFiveSeconds”, em parceria com Paul McCartney e Kanye West. Muito se especulava sobre seus novos singles, divulgados até então, se fariam parte do novo álbum ANTI. O que pode ser confirmado na madrugada de quinta-feira, dia 28, Rihanna teria lançado seu novo álbum ANTI na plataforma Tidal e continha um cover de “New person, same old mistakes (Same Ol’ Mistakes pra Rihannna)” do mais novo disco do Tame Impala, Currents, lançado ano passado.

Em geral, pode-se dizer que a grande genialidade por trás de tudo foi a da produtora executiva Rihanna. Após o lançamento de Unapologetic, Riri assina com a gravadora de Jay Z, Roc Nation e em Outubro de 2015 anuncia que tinha comprado todas as masters de suas gravações e que criaria sua própria gravadora, Westbury Road. Essa maior independência com relação a gravadoras cria um bom ambiente para Rihanna lançar seu oitavo álbum. Ainda em 2015 assina um contrato com a Samsung de 25 milhões de dólares, Rihanna deveria fazer propaganda para empresa, em troca de uma boa divulgação de seu mais novo álbum. De início, Kanye West se diz abertamente produtor executivo de ANTI, em uma entrevista to tapete vermelho do Grammy, nos idos de FourFiveSeconds. Porém, apenas em Janeiro de 2016, mês de lançamento do álbum, para um fã no twitter, Rihanna anuncia que ele não fazia mais parte da produção do álbum, na produção final do álbum não contém seu nome como produtor.

Cover
Rihanna – ANTI. O primeiro grande álbum de 2016. Capa desenhado por Roy Nachum, com um poema em braile sobre a voz, pelo próprio Nachum e Chloe Mitchell, designer também de Kanye West. 

Após o surgimento de ANTI no Tidal, Riri passa a fazer sua divulgação oficial através de suas páginas no Instagram e no Twitter, disponibilizando um código oficial para o download do álbum. Mais tarde é anunciada a versão ‘deluxe’ com mais três faixas adicionais.

twitter

Em seu twitter Rihanna anuncia que os acessos ao ANTI no Tidal já teriam ultrapassado 1 milhão em menos de 15 horas. Pouco depois, Riri anuncia que o álbum já fora condecorado com o selo ‘platinum’, pela associação das gravadoras dos EUA.

ANTI tem uma música em colaboração com Drake ‘Work’, single lançado um pouco antes do ANTI, com quem a artista já fizera sua famosa ‘What’s My Name‘ e porque não dizer também ‘Take Care’.

Em uma primeira impressão pode-se ver que são 13 faixas, sendo Same Ol’ Mistakes a nona faixa e Work a quarta. Só a faixa “Woo” tem a participação de cinco grandes produtores The-Dream, Weeknd, Travis Scott, Kuk Harrel e Hit-Boy. A faixa “Yeah, I Said” é produzida pelo já conhecido Timbaland. Em geral a maioria das faixas tem a mão de Kuk Harrel, encarregado de produzir a voz da cantora, um cara fodão que sempre esteve por trás da carreira de Rihanna e muitos outros grandes da indústria pop americana (veja a lista completa de faixas por produtores aqui).

Após as primeiras e não maduras vezes que se pode ouvir o ANTI, vê-se claramente que a Rihanna conseguiu fazer um álbum muito distante do tradicional pop mercadológico, com refrões dançantes típicos de EDM, o som das rádios pop. Rihanna vem sem hits, sem Diamonds, sem We Found Love, mais ousada, mais autoral, com baixos bem graves e sintetizadores de timbres mais conceituais. Rihanna começa o disco falando da malandragem da vida sedutora e do consumo de ervas, como na deliciosa segunda faixa, James Joint, “I’d rather be smoking weed, whenever we breath, any time you kiss me, don’t say that you miss, just come get me…”. ANTI é um disco para fim de festa, fim de tarde, depois do chá.

Após a nona faixa “Same Ol’ Mistakes” temos mais quatro, já tradicionais, músicas dramáticas, como visto em sua mais recente apresentação no Rock in Rio. Entre elas, “Love on the brain” nos faz recordar Amy Winehouse, em um vocal ácido e uma melodia triste, “Higher” seria uma contra “Love on the brain” chapada. ANTI apresenta ousadia misturada a drama do coração, bem como Unapologetic (2012) e sua bela faixa “Stay”. Ou seja, mostra-se um trabalho muito autoral de Rihanna, apoiada por produtores de primeira linha do que o pop tem de melhor, sem perder as já tradicionais influências em seu trabalho, do soul, reggae e hip hop. Rihanna continua sua boa trajetória e poderia dizer que subiu um degrau em sua carreira como artista em ANTI, ao fugir do pop tradicional, um anti-álbum em sua carreira, que pode ficar com o que Rihanna fez de melhor até então.

Rihanna – ANTI (2016).
Selo: Westbury Road
Produção: Rihanna
Faixas: 13, Deluxe 16.
Duração: 43:36

 

 

 

 

 

 

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