Tame Impala – Currents (2015)

“If only there could be another way to do this
‘Cause it feels like murder to put your heart through this
I know I always said that I could never hurt you
But this is the very very last time I’m ever going to
But I know that I’ll be happier
And I know you will too
Said I know that I’ll be happier
And I know you will too

Eventually…”

Dentre tantos trabalhos produzidos com inspiração em um estilo específico, que pode ser chamado “rock psicodélico”, poucos são efetivamente inovadores. Argumenta-se que toda criação artística já fora previamente desenhada por Pink Floyd ou Beatles nos anos 60 e 70. Porém, Tame Impala surgiu destruindo esses paradigmas. O australiano Kevin Parker, gênio criador da banda, desde o primeiro álbum, InnerSpeaker (2010), vem mostrando que o gênero rotulado como rock progressivo pode atingir horizontes ainda não atingidos, explorando a música pop e se utilizando da música eletrônica com sintetizadores e autotune. Temas como a psicodelia-pura estão longe das letras de Tame Impala, que exploram os dramas existências de uma vida adulta.

Em seu novo e terceiro álbum, lançado na sexta-feira, 17 de Julho de 2015, Tame Impala consegue inovar ainda mais, abrindo mão do uso de guitarras e se aproximando ainda mais dos sintetizadores em músicas envolventes, com uma voz de Parker distante, longa, sincronizada aos sons eletrônicos em músicas longas e que nos fazem orbitar sozinhos em letras tocantes, como Eventually, supracitada.

Kevin Parker em Nova York, 2012. Fonte: Wikipedia

Desde os primeiros singles lançados, como Let it happen, Cause I’m a man e Eventually o álbum já prometia ser inovador e irritar os fãs mais conservadores de rock, que rejeitam a ausência de guitarras e baterias super equipadas e gigantes. Currents é um álbum que pode ser comparado a Kid A de Radiohead (2000), que mostrou um Radiohead eletrônico e experimental. Contudo, Currents é um álbum que pode agradar desde o público tradicionalmente fã de rock psicodélico até mesmo o público fã de música pop-eletrônica de qualidade, em muitos momentos podemos ver um álbum que se compara a Random Access Memories de Daft Punk, 2013. Kevin Parker não economizou no uso de sintetizadores estilo anos 80, com uma bateria leve de fundo, somada a sua voz, que não é das melhores, mas é marcante e leve no ponto certo.

Desde seu recente lançamento já vem sendo bem recebido pela crítica. Alexis Petridis do The Guardian classificou o álbum com cinco estrelinhas. Já Ian Cohen, do Pitchkfork, deu a modesta nota de 9,3 pro álbum. Lucas Repullo, do brasileiro MonkeyBuzz também deu nota 5 estrelas.

Ainda é cedo pra dizer muito sobre Currents, porém é certo que o álbum é uma excelente obra de arte músical pop-psicodélica dos tempos atuais, que muito sabe tocar as questões românticas existenciais que perduram ao longo de uma jovem vida adulta masculina, revelando, como outrora foi revelado nos outros álbuns, toda genialidade e sensibilidade de Kevin Parker, tanto musical como melódica e poética. Como diz a letra, o melhor é só deixar acontecer e esperar que eles venham tocar novamente em São Paulo.

“It’s always around me, all this noise
But not really as loud as the voice saying
“Let it happen, let it happen (it’s gonna feel so good)
Just let it happen, let it happen”
All this running around
Trying to cover my shadow
An ocean growing inside
Now all the others seem shallow”

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Tame Impala – Currents (2015).
Selo: Interscope/Modular Records
Produção: Kevin Parker
Faixas: 13
Duração: 51:08

Tame Impala – Currents (2015)

Luís Inácio Lula da Silva, novo presidente da Nintendo?

Após o anúncio do padecimento do senhor Satoru Iwata em Julho de 2015, o eterno e polêmico presidente Lula, depois de muito refletir, decide optar por seguir a carreira de seus filhos e investir no empresariado. Cansado de ter que proferir os mesmos discursos, cair nas mesmas e velhas denúncias de desvio de conduta e corrupção imputadas pela grande mídia e pela oposição, Lula, junto de seus melhores conselheiros do Instituto Lula, opta por uma reunião fechada junto com a diretoria da Nintendo, para negociar uma futura concorrência à presidência da empresa, que segundo ele, “Está para o mundo dos games como Neymar está para o ataque no Barcelona”.

Perguntado sobre como planejará seguir com o futuro da empresa e o porquê de sua inusitada decisão, o ex-presidente responde que, “A companheira Dilma sabe liderar os rumos do país, não é a crise internacional e a elite ignorante que vai impedir o mercado de vídeo games de crescer”. Segundo o jornalista, Rodrigo Valentino, é clara a intenção do ex-presidente em se aproveitar da figura stalinista de Mario Bros, que é claramente vermelho, segundo o mesmo, a próxima edição de Mario se chamará Mario Red Star 13, em parceria com a empresa de José Dirceu, obviamente com intenções de um golpe comunista.

Imagem por Guilherme Minniti
Imagem por Guilherme Minniti

Já o ex-presidente afirma que planeja aumentar a produção e distribuição das fabricas da Nintendo no CONESUL, já agendando uma reunião com Maduro, Cristina e Evo para os próximos meses, segundo ele, os BRICs já é um alvo em potencial, podendo contar com um financiamento do BNDEs para a produção de novos jogos da famosa série Pokemon. “O programa Meu Zelda Minha Vida vai poder levar acesso ao mundo de Hyrule para todos os gamers que tiveram Mega Drive 3 na infância, mais que isso, a gente precisa fazer jogos pros chineses, pros russos, indianos, pra menina e pro menino latino americano, vamos fazer da Nintendo o videogame de todos”, afirma o ex-presidente.

Porém, sua assessoria já antecipou que Lula fará um pronunciamento na FIESP e no próximo encontro da CUT sobre a proposta do “Programa de Aceleração do Mario Kart, o PAmK”, que pretende elevar o Mario Kart a patamares maiores dos que o do Need for Speed e Gran Turismo juntos. “Eu falei outro dia pros brasileiros e brasileiras fazerem ginástica, agora eu vou falar pra eles jogarem videogame, é um jogo que estimula a inteligência, eu com minha idade tô jogando e acho que todo mundo deveria, sabe…”.

Porém, o futuro do ex-presidente no mercado de games ainda é um mistério, segundo o cientista político André Singerson, o Lulismo segue seu curso com desafios e obstáculos no Brasil atual, colocando a figura do ex-presidente em destaque para as eleições de 2018.

Luís Inácio Lula da Silva, novo presidente da Nintendo?

Milonga do Feriado

Um bêbado desorientado
Um personagem tragicômico de um filme b
Vivente entre amizades e pseudo-amores noturnos
Um monge canábico-etilico-psiconauta
Uma espiritualidade incomum que tende à dissolução mental-social
A irracionalidade pulsante em eros
A racionalidade descomunal e aplicada
O sentimento de solidão sentimental
A fobia social harmônica
O sentimento de sociopatia
Uma cabeça no asfalto, o sangue a escorrer
Um pedaço seu nas ruas
A impotência e a auto destruição

Contínuo no espaço e tempo
Em cores diferentes, perde-se pelos cantos
Um corpo a definhar, a envelhecer
Conhecidos e desconhecidos
Tênis manchados
Roupas rasgadas
Furos de cigarro
Queimaduras
Cicatrizes

Ônibus perdidos
O regurgitar
A solidão

As amizades líquidas
Dispersas geograficamente
No espaço
No tempo
No one ever told us about the sorrow
Um passado no presente
Um presente no passado

Crescer é saber aceitar a tristeza

Milonga do Feriado

Inusitado Protesto Contra a Redução em Blumenau

Em Blumenau, Santa Catarina, cidade no Vale do Itajaí (um belo rio que percorre a cidade) fundada por um Alemão pretensioso, chamado Dr. Hermann Blumenau. Famosa colônia teutônica no sul do Brasil, Blumenau é conhecida pela mais tradicional festa de Oktoberfest do país. Nesta cidadezinha pacata, em que o genioso doutor fez questão de “se livrar” dos indígenas (aves de rapina, por ele chamado), temos diversas casinhas construídas sob o melhor estilo tradicional germânico (já que os italianos do tirol, “vagabundos e bêbados”, foram “assentados” nas periferias da cidade).

Basta de Dr. Blumenau, indo as fatos, nesta cidade há uma ponte,construída no início do século XX, para uma ferrovia que cruzava o Rio Itajaí. Com a importante militância contra as propostas populistas e preocupantes da câmara sobre a redução da maioridade penal, os cidadão de Blumenau estenderam essa bela faixa de protesto contra a proposta, onde aos sábados alguns amantes por esportes radicais por lá  realizam suas atividades, dando um toque a mais para o protesto.

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Inusitado Protesto Contra a Redução em Blumenau

Marcelo Motta, o turista hard core.

Primeiro episódio de uma série de entrevistas feitas com Marcelo Motta, paulistano de 26 anos, fundador do turismo hard core. Nesse episódio trataremos dos preparativos para viagem.

Suas viagens são marcadas pelo impulso. Misturada a pulsões misteriosas de vida, como diriam os psicanalistas. Um quê de fugere urbem. São Paulo é difícil de viver, difícil de ficar longe, mas  é preciso sair, desbravar esse Brasilzão doido, cheio de cerveja e cachaça pra dar. Em suma, uns vinte dias de antecedência é uma data perfeita, recomenda Marcelo. Caso trabalhe, ele sugere que você tente negociar uma folguinha, de 5 dias que seja. As companhias não são obrigatórias, muito menos necessárias, porém bem-vindas. Com esse mundo pleno de redes sociais diversas, não é difícil conhecer pessoas por qualquer canto do país. Conhecer nativos pode ser uma experiência interessante, explica Marcelo, que já dormiu na casa de muitas pessoas, até minutos antes da viagem estranhas, que não passavam de fotos dispersas pelo facebook. Viajar não requer coragem, nem mesmo pilantragem. Marcelo afirma que trocas de favores básicos pode pagar a estadia. Um beck bem bolado, uma história bem contada, um carinho, um beijo na orelha ou até mesmo uma bela noite regada a cerveja barata. Marcelo carrega dessas viagens amores momentâneos e amizades que restam um mistério entre as leis físicas de tempo, espaço e dimensões. Caso saiba cozinhar, o recomendável é usar de suas receitas para conquistar seus anfitriões, sugere. Na falta de sofás e nativos dispostos, abuse dos hostels, não se importe com luxo, nada do tipo, banheiros comunitários são bem-vindos, uma tendência na Europa, diz ele. Caso esteja acompanhado, as negociações são mais complexas, porém bem vindas, pois aumentam o cachê da pechincha.

Solteiro, 26 anos, morador do centro de São Paulo, nos recebe ao som de thrash crossover e uma camiseta do Ratos de Porão. Marcelo atua ativamente nos ramos das viagens hard core, considera-se um mito na área, um ícone. Perguntado sobre a feitura das bagagens, o momento antes do check in, Marcelo responde prontamente: “Deixe tudo para última hora, o legal é passar a noite em claro antes de pegar o voo”. Porém faz um parenteses, as drogas não podem ser deixadas para as últimas horas, tente separar lsd e uma quantidade razoável de erva para esconder pelo corpo, melhor forma de levar drogas desapercebido, um bolso falso da jaqueta, a carteira… cada um sabe o melhor esconderijo, só não vale vacilar. Uma verdadeira viagem hard core precisa de entorpecentes, mas segurança é fundamental para não entrar em cana.

É importante levar  uma necessaire, roupas, drogas, celular, carregador e uma bela máquina fotográfica, para os amantes dessa arte de registrar imagens, mas nada de pagação de fotografia, tem que ser amador, mas com consciência e humildade, explica. Com uma noite sem dormir e pouca quantidade de bagagem, a viagem acontece tranquilamente, com exceção das perturbações básicas com comissários de bordo servindo lanches ruins ou refrigerante para famílias grandes falantes ou executivos plenos de pobrefobia.

Chegando no destino, não pegue taxi, taxis são para granfinos, famílias de classe média alta endinheiradas demais pra serem hard core. Pegue busão, aquele lá que vai entrar no meios das comunidades que você nunca viu. Não sabe para onde ir? Basta perguntar no ponto, exclama Marcelo, que já se virou nos cantos mais inusitados.

É importante começar a viagem com fome, sono e indisposto, as primeiras impressões de mal humor são as melhores. Indagado sobre a melhor forma de se alimentar nas primeiras horas em território desconhecido, Marcelo explica que uma comida de rua cai super bem. Uma vez em Belém do Pará experimentou um guaraná com gosto de paçoca estupendo. O verdadeiro viagra do Pará (risos).

Em seguida, Marcelo recomenda umas horinhas de sono para a confusão começar. Logo quando acordar é hora de acender aquele beck e matar uma laricona com a galera. Surpreendida, nossa equipe perguntou o que viria depois, sem pensar, Marcelo fez um gesto de quem colocaria algo em baixo da língua, rindo.

“É partir pro abraço”.

Marcelo Motta, o turista hard core.

Carne e a Decadência da Revolução Industrial

Debulhar o trigo
Recolher cada bago do trigo
Forjar no trigo o milagre do pão
E se fartar de pão

Decepar a cana
Recolher a garapa da cana
Roubar da cana a doçura do mel
Se lambuzar de mel

Afagar a terra
Conhecer os desejos da terra
Cio da terra, propícia estação
E fecundar o chão

O Cio da Terra – Milton Nascimento

Quando uma pessoa em sã consciência diz abertamente que não consome carne, automaticamente é tratada como estranha. Qual o problema de uma pessoa que prefere não comer carne? Seria esta pessoa incapaz de apreciar os prazeres da gastronomia padrão?

Como poucos parecem compreender, os seres humanos não nasceram naturalmente em grandes cidades abastecidas por uma quantidade infinita de carne a ser desfrutada a qualquer hora do dia, duas, três, quatro vezes ao dia, sem se preocupar com sua possível ausência a curto prazo.

Pode-se acabar a água numa iminente seca. Porém, em meio a uma crise hídrica de longas e graves proporções, os salgados plenamente recheados de presunto, as esfihas fechadas e os cachorros quentes não perdem seus ingredientes básicos. Pode-se lamentar e questionar toda degradação ambiental existente no mundo, o papel da bancada ruralista e a Kátia Abrel como ministra da agricultura, mas vigorarão nas grandes cidades longuíssimos banquetes de sushi sem limites. As churrascarias trabalharão com preços promocionais por todos os dias da semana. As grandes redes de fast food terão lanchonetes abertas 24 horas por dia, 7 dias por semana, com lucros recordes. Enquanto isso, os amigos e amigas se reunirão embriagados num fim de semana para celebrar a vida regada a muita cerveja de milho transgênico e carne assada até altas horas da noite.

Em uma hipotético estado de natureza, a carne é resultado da caça e da criação de animais em cativeiro, sabe-se pela bíblia que havia uma série de restrições para o consumo da carne nas antigas e primeiras civilizações do crescente fértil. Abater animais para o consumo era uma atividade digna de um ritual apropriado, onde uma quantidade grande dos habitantes da pequena região se reuniam para uma grande festa regada a muita bebida e entorpecentes. Uma época em que todo alimento era consumido nos recintos do lar, da comunidade, independente se trocado em um bar ou hospedaria local, como pode se observar em ruínas da roma antiga. Um outro fato a ser destacado seria o das primeiras civilizações terem surgido a partir da inovação que o cultivo em grande escala de alimentos advindos da terra proporcionou à humanidade. Pela primeira vez em toda história humana poderia ser possível sobreviver sem a necessidade de caçar, pescar ou matar seus animais domésticos para sobreviver. Seria possível se fartar de pão e outros grãos da terra sem morrer de fome. O que não significa que todo mundo teria virado vegetariano de um dia para o outro, apenas que surgiram novas possibilidades de sobrevivência em comunidades com um número inédito de pessoas, circundados por uma vida complexa, que envolvia poder, religião, escravos e uma ganância até antes jamais vista, como nos mostra a história egípcia e as dezenas de povos semíticos que habitaram a região da babilônia e da palestina, como bem ilustra o antigo testamento.

Sabe-se que a vida prosseguiu mais ou menos assim até o surgimento da revolução industrial. No Brasil, tal vida com excedente em carne industrial, produtos alimentícios industrializados fornecidos por grandes redes de super mercados é recente. Até a era getulista o Brasil ainda era tipicamente rural, com nossas cidades bastante reduzidas. Seria impossível conceber uma São Paulo de onze milhões de habitantes.

Tem-se que a revolução industrial subverteu as condições naturais de sobrevivência humana em uma estado natural de convivência e consumo. Consumo este destinado ao prazer gastronômico e à necessidade de sobrevivência com o ato de se nutrir. No entanto, em um mundo onde existe o déficit de alimentos, onde o problema da desnutrição, da fome e da desigualdade é recorrente. Temos o excesso por outra parte. Sabe-se que o consumo de carne nos EUA ultrapassa largamente o necessário para sobrevivência humana num x dado do tempo, o mesmo se repete no Brasil (1). O que ocorre é que a revolução industrial industrializou a carne como mercadoria. A vida animal, assim como a vida humana, tornou-se mera mercadoria. A grande diferença é que a vida animal passou a ser criada em cativeiro massificado, assim como os humanos possuem cidades, os animais passaram a ter suas próprias cidades, onde seriam criados, medicados e alimentado justamente para o abate em massa, com o fim de suprir um consumo humano excedente. Aves, porcos, bovinos, peixes, todos estão presentes misteriosamente nos mercados para serem comprados, a preços e qualidades diferentes. Existem aquelas carnes mais populares, outros mais caras com cortes especializados.

No Brasil o lulismo aumenta o salário mínimo, o que acarretou um maior poder de compra das classes populares, que passaram a ter mais acesso a carne e a bens de consumo alimentícios diversos (2). Temos que o poder das empresas alimentícias, assim como o poder do agronegócio nunca foi tão grande sob o “comunista” PT. A bancada ruralista só cresce, ao ponto de ganhar um ministério sob o segundo governo Dilma. Os lucros da Friboi, do grupo JBS, assim como o da Ambev, atingem níveis mais que alarmantes de lobby político, ao ponto de a câmara pedir a extinção do selo de transgênicos nos produtos. O PT combateu o problema da miséria e da pobreza em detrimento de uma expansão e fortalecimento do capitalismo. Não da reforma agrária.

De madrugada, vendo o leilão de bois e vacas, um produto, como muitas pessoas.

Segue-se que o nível de problemas de saúde ligados à má alimentação e a obesidade são crescentes no Brasil, nos EUA e no mundo da pobreza e da desigualdade internacionais (3). O que só prova as consequências desse quadro marcado por excesso de carnes, de um capitalismo fortalecido do agronegócio e das indústrias alimentícias. A indústria alimentícia e o agronegócio matam, muito. Uma grande parte da devastação ambiental é sim consequência desse modelo de produção e consumo. Não se pode falar em mudanças ambientais e conservar um modelo de produção de capital como este.

A educação não emancipadora mantém o status quo, o lobby político faz sua parte e la vita segue così. Acima de tudo, é preciso lutar pelo enfraquecimento dessas grandes indústrias, pela reforma agrária que quase nada avançou em todos os anos de PT. É fundamental que todo mundo tenha direito a cultivar a terra de maneira natural e ecológica, gerando frutos também a serem comercializados, porém de maneira natural, sem danos ao ambiente, de forma equilibrada, além disso, é preciso de uma educação alimentar emancipadora, onde as pessoas saibam a base da vida, da sobrevivência, que é o alimento, a boa saúde, aliada a exercícios físicos e saber cozinhar, o que é um ato libertador.

Dialeticamente falando, não precisamos abandonar todos os avanços gerados pela revolução industrial e o capital. Não precisamos viver num mundo de fome e escassez, mas que saibamos negar a decadência dessa revolução industrial e que passemos a construir um novo modo de produção pautado pela real emancipação humana e animal harmonicamente. Logo, se alguém disser que prefere não comer carne, é porque ela conhece motivos suficientes para saber reduzir o seu consumo de carne para o mínimo possível em uma sociedade com todos esses fatos dados.

P.S: presunto não é carne, caro balconista do boteco.

(1)  http://chartsbin.com/view/12730

(2) Aumento do consume de carnes no Brasil http://www.epagri.sc.gov.br/?page_id=6484

(3) http://www.endocrino.org.br/numeros-da-obesidade-no-brasil/

Carne e a Decadência da Revolução Industrial